segunda-feira, 2 de julho de 2012

Educação Inclusiva – Videoaula 7: Crianças e jovens com necessidades especiais na escola – dialética da inclusão / exclusão


Ao pensarmos e refletirmos sobre a inclusão e exclusão de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais (NEE) na escola vemos que este processo é controverso, denso e visto sob diferentes perspectivas, pois são vários os atores, instituições, elementos históricos e culturais que se entrelaçam e nem sempre estão em sintonia entre si: a perspectiva dos familiares, a do professor, do ponto de vista do coordenador e diretor, e ponto de vista da criança com necessidades educacionais especiais.
Os familiares dos alunos, na maioria das vezes, acreditam que a escola regular seja o melhor para os seus filhos e muitas vezes ela é mesmo. Vemos todos os anos algumas famílias brigarem pelos direitos de seus filhos e filhas estarem em salas regulares das escolas públicas, porém algumas vezes eles só estão brigando pela matrícula porque alguém lhes disse que isto é um direito deles e não porque eles tenham certeza de que seja o melhor para seus filhos.
Os professores ficam relutantes e preocupados ao saber que receberão um aluno com necessidades educacionais especiais e isto ocorre não porque eles sejam preconceituosos, embora isto possa acontecer sim, mas porque eles sabem que haverá muitas cobranças a este respeito e como já não conseguem dar conta do mínimo que a escola deveria propor, instrução, se colocam na defensiva e dizem que não têm a formação necessária.
Quando se referem à formação necessária os professores estão implicitamente afirmando acreditar que estas crianças portadoras de necessidades especiais são capazes, que podem aprender e evoluir, superar suas limitações e podem ser felizes se forem bem assistidas, corretamente e continuamente estimuladas. Eles sabem que nas salas de aula regulares, repletas de alunos, muitas vezes com mais de vinte e cinco crianças, já há uma grande diversidade entre as crianças ditas “normais”. Grande parte delas também apresenta necessidades especiais, seja de estímulo, atenção, carinho ou outras. Uma parte da turma, por assimilar rapidamente tudo o que é proposto, precisa de estímulos e atividades extras, caso contrário fica desmotivada ou apresenta problemas disciplinares. Outra parte tem um ritmo mais lento de aprendizagem e aí estes professores ao serem avisados da chegada de um caso diagnosticado se preocupam, se ressentem e sabem, mesmo que todo mundo afirme o contrário, que a responsabilidade será exclusivamente dele. Quando os problemas começarem a aparecer foi o professor que “não promoveu a adaptação correta do aluno”, foi ele que “não providenciou atividades estimulantes”, material adaptado e adequado, que “não propôs situações significativas”, que “não expôs a situação claramente aos demais alunos”, que “não soube controlar a turma” que ficava indisciplinada enquanto ele atendia às necessidades do outro aluno. Tudo isto é falado, feito ou pensado na escola, seja abertamente ou nos olhares e entrelinhas pelos pais do aluno em questão, pelos pais dos demais alunos, pelos colegas de profissão, às vezes por coordenadores e diretores menos humanos ou comprometidos, enfim: o que quer que faça, o professor está sempre errado. Sabendo disso tudo por antecipação ele, muitas vezes, por desconfiar que não aguentará toda a pressão, diz que não é indicado ao trabalho, que não tem formação suficiente.
Coordenadores e diretores, muitas vezes, estão ali, na luta diária com pais e professores em prol do bem do aluno. Aqueles que estão ocupando estes cargos, mas que têm consciência de sua condição de professor, abraçam a causa e buscam, junto com os professores, estratégias e caminhos a seguir. Infelizmente em algumas escolas a situação é completamente diferente e lá eles apenas cobram dos professores que estes recebam o aluno em suas salas de modo a atender à lei, jamais se preocupando em como o professor lidará com a situação ou em como o aluno se sente ou está sendo atendido em suas necessidades especiais.
E os alunos? Quantos deles terão a percepção de notar como a inclusão realmente acontece? Quantos serão capazes de relatar a suas famílias o grau de inclusão oferecido? De certo muitas famílias ao saber como as coisas realmente acontecem tirariam seus filhos das salas de aula regulares e os colocariam em escolas especializadas em crianças portadoras de necessidades especiais, onde eles fossem melhor assistidos, em turmas menores e com materiais e mobiliário adaptados ou até mesmo os deixariam em casa...
Pode parecer que eu sou contra a inclusão. Não sou não! Sou contra a forma como ela acontece. Não se pode incluir um aluno e excluir vinte e nove. Também não se pode incluir vinte e nove excluindo um. O que fazer, então?
Em minha opinião os governos federais, estaduais e municipais deveriam colocar mais a máquina pública à favor da inclusão de verdade. O aluno com necessidades especiais deve preferencialmente frequentar as salas regulares? Então as salas regulares deveriam estar preparadas para recebê-los e essa preparação deveria ser desde o transporte para se chegar à escola até rampas de acesso, banheiros adaptados, mobiliário adequado e um profissional a mais na sala de aula, o tempo todo, garantindo que tanto os alunos com NEE quanto os demais tivessem atenção. Além disso, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas, etc., deveriam atender aos alunos na própria escola, providenciando gratuitamente todo o material e remédios necessários.  Aí sim, haveria inclusão de verdade.


Videoaula 6: O professor e a diversidade cultural na sala de aula



Valorizar a diversidade cultural é valorizar a diferença encontrada nas ideias, religiões, etnias, saberes e práticas existentes nas pessoas e na sociedade em geral.  Para que isto ocorra é necessário conhecer os outros, respeitar as diferenças e aceitar conviver com o diferente.
A escola é um local que recebe alunos vindos de diversas famílias, cada uma influenciada pelas bagagens culturais de seus antepassados, regiões de onde vieram e costumes locais adquiridos. Os professores precisam aproveitar esta diversidade de culturas que chega à escola para trabalhar, entre os conteúdos práticos e os planejados, também ética e cidadania. Devem valorizar os conhecimentos prévios de cada um, suas crenças e sua cultura. É conhecendo o diferente que se faz o respeito por ele.
Uma boa dica de atividades práticas para iniciar o trabalho com a diversidade cultural de sua turma é fazer um estudo das comidas típicas, pois a culinária proporcionará aulas fora da rotina diária que poderão ainda ser exploradas também em conteúdos mais tradicionais, como Matemática e Química.

“É bom lembrar que aulas interativas proporcionam um aprendizado eficaz não somente de conteúdos escolares, mas de experiências sociais que ficam por toda a vida, como: produzir diversos objetos, usar da criatividade e aprender a lidar com o próximo de forma respeitosa”. (Jussara de Barros – www.educador.brasilescola.com)

Um vídeo pra terminar: É difícil aceitar os outros, mas precisamos deles!

                                  http://www.youtube.com/watch?v=ymTQkYgdNVQ


Profissão Docente - Vídeoaula 5: O papel do professor na mediação cultural


        O professor desempenha um papel muito importante ao fazer a mediação entre o aluno e a arte. Esta é, na escola, a maneira primeira de se tomar conhecimento de uma parcela, muito pequena, mas significativa, do patrimônio cultural existente aqui, país de enorme diversidade.
A Arte deve ser acessível  e  fazer parte da vida do aluno, pois tendo a oportunidade de vivenciá-la ele interiorizará esta experiência para toda a sua vida. Uma ótima maneira de começar é trabalhando os conteúdos da arte brasileira, pesquisando a vida o obra de artistas que fizeram a nossa história e marcaram a nossa cultura. Para tanto o professor precisa investir em sua própria formação, precisa conhecer como se passa o conhecer artístico e também como os alunos interpretam arte.
Fazendo arte na escola o aluno aprenderá relacionando a produção sócio-histórica da arte, de diversos tempos e lugares, com suas próprias produções e com a de seus colegas e esta atividade será significativa para ele.
 A arte permite que cada um possa se expressar, que tenha uma relação autoral na produção e na leitura de seus trabalhos. Conseguir fazer esta leitura, de forma compartilhada, interpretando-a e decodificando-a não é fácil, mas perfeitamente possível. Além disso, esse movimento produz autoestima e permite ao aluno um maior conhecimento de seu  papel social e consequentemente uma maior participação nesta sociedade.
Para fazer essa mediação cultural, precisamos pensar que alunos queremos formar; devemos considerar que  a arte sempre carrega características culturais e, nesta fase da vida do estudante, ainda  favorece o gosto por frequentar a escola e acaba por promover a integração deste com a sociedade. Podemos pensar ainda no registro da produção dos alunos documentando estas práticas escolares e compartilhando-as em blogs e portfólios, por exemplo, com os demais alunos da sala, comunidade na qual a escola está inserida e até mesmo em redes sociais.
O artista Plástico Marcelo Uchoa sugere começar retomando o desenho da criança, estimulando o universo infantil, e oferecendo materiais e técnicas diversificadas de modo a estimular sempre novas situações selecionando material de qualidade para apresentar às crianças.
Experiência prática:
Em uma das escolas onde leciono temos, uma vez por semana, aula de Arte. Minha turma de 2º ano gosta muito das aulas da professora Jéssica e aguarda as quintas-feiras ansiosamente.
Achei uma das atividades aplicadas por ela muito simples e interessante e eu nunca havia pensado em realizar daquela maneira. Na apostila de Arte há algumas obras e atividades sobre Tarsila do Amaral e a professora introduziu a biografia da pintora em forma de história. Disse às crianças que Tarsila gostava muito de viajar e que naquela época viajava de trem. Ia olhando pela janelinha, com atenção, as paisagens brasileiras ao seu redor e um dia resolveu pintá-las. Em certo momento da aula ela distribuiu às crianças um cartão retangular com um outro retângulo menor vazado dentro. Parecia mesmo uma janelinha... Todos posicionaram suas janelinhas pela obra retratada na página, mudando-a de lugar aleatoriamente várias vezes. Pela janelinha observavam atentamente cada pedaço do quadro escolhido (Morro da Favela - 1925). Depois ela propôs aos alunos elegerem a parte preferida da paisagem retratada e desenharem. Nunca havia visto uma releitura tão simples e tão interessante. Na página ao lado eles desenharam as paisagens de suas janelinhas e como o espaço destinado era bem maior do que a janelinha eles ainda tiveram que ampliar as paisagens, adaptando-as ao espaço disponível, bem maior. Em alguns minutos havia várias “telas” baseadas na mesma obra de Tarsila do Amaral, muito diferentes entre si e ao mesmo tempo todas conectadas. Para esta atividade os alunos utilizaram giz de cera e lápis de cor, material muito comum e, no entanto, aplicado com técnica tão diversa e interessante.


Morro da favela: https://www.google.com.br/search?num=10&hl=pt-BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&q=a+favela+tarsila+do+amaral&oq=a+favela&gs_l=img.1.2.0l3j0i24l7.1764.


Videoaula 4: Educação Especial e Inclusiva


Pensamento no questionamento feito na videoaula, “o que significa para você receber a notícia que irá trabalhar com aluno com necessidades especiais?” fiquei refletindo sobre o que acontece atualmente nas escolas depois disto.
Na realidade o que acontece no momento seguinte ao professor receber a notícia é ele, sob o primeiro impacto, dizer que não tem formação adequada para esta função.
A equipe pedagógica e diretiva da instituição escolar costuma afirmar que vai auxiliar o professor no que for preciso, dando suporte e orientações e fazendo os caminhamentos possíveis, seja adequando a estrutura física da escola para receber este aluno ou estabelecendo as parcerias necessárias, porém o que acontece de verdade é que, depois de passados alguns dias, cada um retoma sua rotina normal e como as parcerias costumam demorar a serem efetivadas, as orientações já foram dadas e alguma mudança estrutural já foi tentada o professor se vê sozinho com os seus alunos com necessidades especiais e os demais vinte e nove considerados não portadores de necessidades especiais. Aquela conversa ouvida quando você recebe a notícia de que o aluno não será seu e sim da escola começa a soar completamente falsa.
E o que acaba acontecendo daí em diante? O professor que não tem a formação específica desejada tem que correr atrás dela por conta própria. Tem ainda que lidar com o impacto sobre os demais alunos, que ao verem o professor se desdobrando em cuidados para a adaptação do novo aluno na turma começam, consciente ou inconscientemente, a solicitar também atenção especial. Neste momento o professor ainda tem que lidar com a rejeição e o preconceito de alguns alunos e ainda com a vontade de outros em adotarem o novo aluno como “mascote” e fazer tudo por ele, não permitindo que ele se coloque ou tente realizar atividades possíveis. É uma luta diária e algumas vezes ao incluir o aluno portador de necessidades especiais você exclui os demais e incluindo os demais você exclui o aluno portador de NEE. Outras vezes você, quase por milagre, consegue incluir todo mundo e acaba excluindo o professor...Isso tudo sem contar que aqueles alunos não diagnosticados como portadores de necessidades educacionais especiais também têm dificuldades de aprendizagem, socialização, problemas emocionais, etc., etc.
O aluno tem necessidades educacionais especiais e o professor? Este não teria também as suas NPEs, necessidades profissionais especiais?




A escolinha do professor Raimundo, quadro do saudoso Chico Anísio,  tinha vários alunos com necessidades educacionais especiais. Estes vídeos são mais recentes, feito para homenagear o mestre:








                                   E O SALÁRIO, ÓÓÓÓ !!!!


                               http://www.youtube.com/watch?v=dOJ1Ro9zO-Y













Educação Inclusiva – Videoaula 3: Ética e valores na ação educativa



Ser professor é, sobretudo, estar em constante relação com o outro e se colocar no lugar do outro sempre, o que de longe não é tarefa fácil. Isso é muito complicado, sobretudo em termos metodológicos para o professor dada a diversidade hoje nas salas de aula.
 Nas salas de aula regulares atualmente estão presentes crianças com deficiência mental, que têm dificuldades para ler, escrever e contar, crianças surdas que usam não mais a cultura letrada, alfabética, mas uma outra língua, de sinais, crianças cegas que usam uma escrita que não é alfabética, que usam o Braile, deficientes físicos em salas de aula que não vão conseguir escrever a caligrafia... Como é que se os professores devem agir nestas situações? Como é que devem lidar, conviver e ensinar àqueles que a sociedade tradicionalmente considerou como devendo ser excluídos da escola?
Uma coisa é mudar a legislação, fazer decretos... Eles são importantes, mas como é que no cotidiano os professores vão modificar essas noções que estão impregnadas em tanta gente? Como ensinar os outros alunos e jovens que vão conviver com essas crianças a respeitá-los com toda sua diferença e diversidade? Trata-se de um desafio para os professores: um trabalho intencional com valores junto aos alunos de suas classes regulares e junto aos alunos que tenham necessidades especiais auxiliando-os nas questões da ética, da cidadania e do respeito à diversidade e à diferença.
E como fazer este trabalho direcionado e intencional? Cairemos, mais uma vez, na questão da formação do professor. Assim como os alunos mudaram e o tratamento das informações mudou, também é necessária uma mudança nos cursos de formação inicial de professores e depois há ainda a obrigatoriedade de formação contínua, em serviço, que contemple essa necessidade.


Nick Vujicic: 



Videoaula 2: A ação educativa ao longo da trajetória escolar

         
         
A ação educativa ao longo da trajetória escolar vai assumindo diferentes ênfases. Num primeiro momento, mais tipicamente da educação infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental, temos a institucionalização que é o modo como o indivíduo é acolhido pela instituição escolar e todo o esforço do professor em mostrar como é a escola, como funciona e investir nesta adaptação escolar.
 Num segundo momento, mais típico do 3º ou 4º ano do Ensino Fundamental até o 5º ou 6º ano, a ênfase recai mais na escolarização, que é a formação do aluno, a formação do estudante. É preciso que a criança viva bem essa vida escolar e que se organize para ela, por exemplo, organizar seus estudos, saber fazer um resumo, conseguir ler um texto e extrair conhecimento daquilo, se preparar para uma prova, etc.
Mais ao final do Ensino Fundamental e no Ensino Médio vem também a preparação para a vida social. Os professores fazem um grande esforço para lidar com tantos apelos do mundo sobre o aluno, pensando na profissionalização, na responsabilidade social no compromisso com a natureza e tudo mais. Obviamente isso tudo é muito flexível e o professor tem que ter a sensibilidade de perceber qual é o momento do seu aluno para propor aqueles tantos projetos possíveis e que, obviamente, não podem ser propostos aleatoriamente, mas têm que seguir princípios educativos em função do momento do aluno.
No fundo se pensarmos a institucionalização, a escolarização e a preparação para a vida social, o papel do educador seria o de acolher o aluno, trazer o aluno para dentro da escola (institucionalização), dar um banho de escolaridade nesse aluno, fazer esse aluno viver bem a vida escolar (escolarização) e jogar esse aluno de volta para a sociedade, de uma forma responsável e compromissada (preparação para a vida social). Espera-se que os professores tenham a oportunidade de pensar no desafio da profissão docente à luz dessas realidades e desses apelos educacionais.


                             
                              http://www.youtube.com/watch?v=rLSmU6deuPQ