O fracasso escolar está
presente na educação e as avaliações oficiais (não discutindo aqui a existência
ou não de seus méritos) mostram isso o tempo: os alunos apresentam conhecimentos
insuficientes comparados com a série que frequentam. Mas por que os alunos
não aprendem? Em nossas conversas de
professores sempre ouvimos que o aluno “não aprende porque é carente”, “porque
passa fome”, “porque a família é desestruturada, ou nem tem família” e por aí
vai... Dificilmente os professores culpam os próprios professores ou a
instituição escola. Buscar os culpados não resolve o problema.
Muitas vezes os alunos
perdem o interesse pelo estudo porque o que mais a sociedade valoriza é o
dinheiro e não o saber. Cabe ao professor resgatar o valor do conhecimento, mas
como fazê-lo diante dos apelos da mídia? Meus alunos costumam dizer que querem
ser jogadores de futebol, pois eles ganham muito dinheiro, são famosos, viajam
bastante e não precisam nem saber a letra correta do Hino Nacional... Sei que
muitos jogadores são formados, doutores e falam corretamente o português, além
de outros idiomas, mas não se pode negar que são minoria.
O
mundo transformou-se, houve evolução tecnológica, mas a escola continua a
mesma, parada no tempo sem acompanhar as mudanças da sociedade. Eu entendo que
não haja muito interesse pela escola posta como ela está hoje, mas o que fazer
enquanto professora, com salas lotadas, pouco acesso dos estudantes à
tecnologia, não porque não exista nas unidades em que trabalho, mas porque a
estrutura ainda não permite a sua utilização como eu gostaríamos ou como seria
necessário. Não tive formação específica para atender a essa demanda
tecnológica, porém empreendo uma busca pessoal o tempo todo, mas confesso,
ainda não consigo fazê-la trabalhar pelos conteúdos que preciso ensinar. Não me
falta boa vontade. Falta tempo hábil. A burocracia do meu trabalho me impede
muitas vezes.
Nos
últimos anos tenho achado cada vez mais difícil despertar o interesse dos
alunos para o que eles devem aprender, mesmo que eu sempre utilize metodologias
diferentes. As crianças, e suas famílias, não querem pensar, não querem
levantar hipóteses e, principalmente, não querem ser chamadas à atenção. Querem
fazer somente o que quiserem e quando quiserem e são apoiadas pelos
responsáveis, pois ao menor sinal de “desrespeito” ao que julgam seus direitos
ameaçam e cumprem ir à instâncias que consideram superiores para se queixarem,
seja Diretoria de Ensino, Ouvidoria, Conselho Tutelar, Delegacia de Polícia
dentre outros. E como ficam os deveres?
O
ensino precisa ser significativo e o professor precisa dialogar com os alunos.
Já ouvi reclamações de pais dizendo que os alunos acham minhas aulas divertidas
e por isso não levam à sério. Recentemente recebi uma queixa de que sou
estúpida e grosseira. Isso de pais da mesma turma. É difícil agradar a todo
mundo, não? Sorte que isso não mexe com minha autoestima, pois tenho
consciência da profissional competente e compromissada que sou, mas me
desanima...
Falemos
da desconsideração da diversidade cultural citada na videoaula: “os alunos
possuem diferentes saberes e características, mas a escola procura sempre
igualar para que todos tenham os mesmos comportamentos e desempenhos”. Discordo! Não é
assim. Tenho certeza de que os professores enxergam a diversidade cultural como
algo positivo e sabem aproveita-la a favor da aprendizagem dos alunos. O que é
igualar comportamentos e desempenhos, então? Quando eu faço uma atividade
diagnóstica, e exijo daquele aluno que tem capacidade que ele a demonstre,
estou tentando igualá-lo a outro? Respeitar a diversidade não é proporcionar a
todos as mesmas oportunidades? Por que não cobrar que todos deem o melhor de
si? Manter a turma concentrada trabalhando ou cobrar a participação organizada
de todos é igualar comportamentos?
E
por último: ajustar a metodologia ao cognitivo dos
alunos. Se for assim só vamos trabalhar a alfabetização, ainda que de
diferentes maneiras, em todos os anos do Ensino Fundamental, pois sempre, em
todas as turmas, há problemas com a alfabetização e não é porque os estudantes
apresentam esta dificuldade que não podemos avançar ou trabalhá-la em outros
conteúdos e outros formatos.
npsi-reha.blogspot.com
aula original: http://evc.prceu.usp.br/curso/mod/mplayer/view.php?id=1343