quarta-feira, 4 de julho de 2012

Profissão Docente - Videoaula 13: A construção do fracasso escolar: os mecanismos do não aprender e os desafios do professor



O fracasso escolar está presente na educação e as avaliações oficiais (não discutindo aqui a existência ou não de seus méritos) mostram isso o tempo: os alunos apresentam conhecimentos insuficientes comparados com a série que frequentam. Mas por que os alunos não aprendem?  Em nossas conversas de professores sempre ouvimos que o aluno “não aprende porque é carente”, “porque passa fome”, “porque a família é desestruturada, ou nem tem família” e por aí vai... Dificilmente os professores culpam os próprios professores ou a instituição escola. Buscar os culpados não resolve o problema.
Muitas vezes os alunos perdem o interesse pelo estudo porque o que mais a sociedade valoriza é o dinheiro e não o saber. Cabe ao professor resgatar o valor do conhecimento, mas como fazê-lo diante dos apelos da mídia? Meus alunos costumam dizer que querem ser jogadores de futebol, pois eles ganham muito dinheiro, são famosos, viajam bastante e não precisam nem saber a letra correta do Hino Nacional... Sei que muitos jogadores são formados, doutores e falam corretamente o português, além de outros idiomas, mas não se pode negar que são minoria.
O mundo transformou-se, houve evolução tecnológica, mas a escola continua a mesma, parada no tempo sem acompanhar as mudanças da sociedade. Eu entendo que não haja muito interesse pela escola posta como ela está hoje, mas o que fazer enquanto professora, com salas lotadas, pouco acesso dos estudantes à tecnologia, não porque não exista nas unidades em que trabalho, mas porque a estrutura ainda não permite a sua utilização como eu gostaríamos ou como seria necessário. Não tive formação específica para atender a essa demanda tecnológica, porém empreendo uma busca pessoal o tempo todo, mas confesso, ainda não consigo fazê-la trabalhar pelos conteúdos que preciso ensinar. Não me falta boa vontade. Falta tempo hábil. A burocracia do meu trabalho me impede muitas vezes.
Nos últimos anos tenho achado cada vez mais difícil despertar o interesse dos alunos para o que eles devem aprender, mesmo que eu sempre utilize metodologias diferentes. As crianças, e suas famílias, não querem pensar, não querem levantar hipóteses e, principalmente, não querem ser chamadas à atenção. Querem fazer somente o que quiserem e quando quiserem e são apoiadas pelos responsáveis, pois ao menor sinal de “desrespeito” ao que julgam seus direitos ameaçam e cumprem ir à instâncias que consideram superiores para se queixarem, seja Diretoria de Ensino, Ouvidoria, Conselho Tutelar, Delegacia de Polícia dentre outros. E como ficam os deveres?

O ensino precisa ser significativo e o professor precisa dialogar com os alunos. Já ouvi reclamações de pais dizendo que os alunos acham minhas aulas divertidas e por isso não levam à sério. Recentemente recebi uma queixa de que sou estúpida e grosseira. Isso de pais da mesma turma. É difícil agradar a todo mundo, não? Sorte que isso não mexe com minha autoestima, pois tenho consciência da profissional competente e compromissada que sou, mas me desanima...
Falemos da desconsideração da diversidade cultural citada na videoaula: “os alunos possuem diferentes saberes e características, mas a escola procura sempre igualar para que todos tenham os mesmos comportamentos e desempenhos”. Discordo! Não é assim. Tenho certeza de que os professores enxergam a diversidade cultural como algo positivo e sabem aproveita-la a favor da aprendizagem dos alunos. O que é igualar comportamentos e desempenhos, então? Quando eu faço uma atividade diagnóstica, e exijo daquele aluno que tem capacidade que ele a demonstre, estou tentando igualá-lo a outro? Respeitar a diversidade não é proporcionar a todos as mesmas oportunidades? Por que não cobrar que todos deem o melhor de si? Manter a turma concentrada trabalhando ou cobrar a participação organizada de todos é igualar comportamentos?
E por último: ajustar a metodologia ao cognitivo dos alunos. Se for assim só vamos trabalhar a alfabetização, ainda que de diferentes maneiras, em todos os anos do Ensino Fundamental, pois sempre, em todas as turmas, há problemas com a alfabetização e não é porque os estudantes apresentam esta dificuldade que não podemos avançar ou trabalhá-la em outros conteúdos e outros formatos.






                           
                                                           npsi-reha.blogspot.com






           aula original: http://evc.prceu.usp.br/curso/mod/mplayer/view.php?id=1343

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