quarta-feira, 4 de julho de 2012

Videoaula 8: Contradições na história e história da Educação Especial


Quando tocamos no assunto inclusão no mesmo momento ouvimos: “Como promover a inclusão se não estamos preparados?” “Por que e como temos que cumprir algo que não escolhemos, que foi uma imposição do governo”? “Como incluir um aluno e excluir 29?”
Não posso negar que eu mesma já repeti isso algumas vezes... Posso dizer hoje que pensaria diferente se tivesse conhecido antes, e não só recentemente, mais a fundo, a História da Educação e principalmente a história da Educação Inclusiva no Brasil. Vocês podem estar pensando “como uma professora formada há quase trinta anos no curso de Magistério não conhece a fundo a história da educação?” É isso mesmo. Quando me formei no Magistério em 1983, mais ou menos, com dezessete anos, no final da adolescência e início da idade adulta devo ter estudado tudo isto, mas como não precisava, naquela época, aplicar este conhecimento em minha vida pessoal não o interiorizei. Depois disso fiz a Faculdade de Letras e não de Pedagogia. Estudava, ao invés da História da Educação, as classes de palavras e análise sintática... Tinha aulas de Inglês e Literaturas Inglesa e Portuguesa, Latim e muitas outras. Também naquela época, assim como ainda acontece hoje, dava-se importância a muitos componentes curriculares deixando aspectos importantes da vida e para a vida de lado...
Hoje sei que na verdade esta discussão sobre Educação Inclusiva não é recente e nem foi uma imposição. Foi uma reivindicação de uma imensa população que vinha há séculos solicitando direito à educação...
Revendo a história da educação do Brasil podemos afirmar que ela foi mudando com o decorrer do tempo. No início era uma educação de tutores para poucas pessoas de uma classe distinta. Conforme as coisas foram mudando passamos a ter escolas atendendo a conjuntos de alunos, ainda que homogêneos, em sua composição e as escolas especiais que surgiram neste processo também eram específicas para cada tipo de deficiência.
No Brasil, os primeiros registros de escolas específicas para deficientes foram o Instituto Benjamin Constant para cegos e o Instituto Nacional dos Surdos e Mudos, em 1854 e 1857 respectivamente, ambos no Rio de Janeiro, então capital do país. Um século depois, na década de 60, através de algumas instituições especializadas criadas por órgãos não governamentais é que se abriram as possibilidades de pessoas com necessidades especiais participarem do campo da educação. Criaram-se, assim, algumas leis que buscavam garantir os direitos dos excepcionais, mas é só em 1973, com a criação do CENESP (Centro de Educação Especial) que o Estado passa a assumir esta responsabilidade.
Muitos movimentos nacionais e internacionais ocorreram e, a partir dessas discussões, estabeleceu-se o direito de todos à educação. Houve a criação de legislações, portarias, resoluções, etc., chegando até os dias de hoje, quando se busca instrumentalizar famílias, pessoas com necessidades especiais e professores que atuam no campo da educação para poder receber essas pessoas com necessidades educativas especiais e trabalhar bem nesta linha.
Conhecer e analisar o passado faz com que possamos entender porque as coisas acontecem desta ou daquela maneira no presente, não para apenas justificá-las, mas principalmente para melhorá-las. Volto, mais uma vez, a afirmar que tudo, em educação, gira em torno da formação de professores.


Evolução do Mito da Caverna, de Platão, numa versão bem humorada:


                    http://www.youtube.com/watch?v=NkcF3YuNG1o&feature=fvwrel

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