Quando tocamos no assunto inclusão
no mesmo momento ouvimos: “Como promover a inclusão se não estamos preparados?”
“Por que e como temos que cumprir algo que não escolhemos, que foi uma
imposição do governo”? “Como incluir um aluno e excluir 29?”
Não posso negar que eu mesma já
repeti isso algumas vezes... Posso dizer hoje que pensaria diferente se tivesse
conhecido antes, e não só recentemente, mais a fundo, a História da Educação e
principalmente a história da Educação Inclusiva no Brasil. Vocês podem estar
pensando “como uma professora formada há quase trinta anos no curso de
Magistério não conhece a fundo a história da educação?” É isso mesmo. Quando me
formei no Magistério em 1983, mais ou menos, com dezessete anos, no final da
adolescência e início da idade adulta devo ter estudado tudo isto, mas como não
precisava, naquela época, aplicar este conhecimento em minha vida pessoal não o
interiorizei. Depois disso fiz a Faculdade de Letras e não de Pedagogia.
Estudava, ao invés da História da Educação, as classes de palavras e análise
sintática... Tinha aulas de Inglês e Literaturas Inglesa e Portuguesa, Latim e
muitas outras. Também naquela época, assim como ainda acontece hoje, dava-se
importância a muitos componentes curriculares deixando aspectos importantes da
vida e para a vida de lado...
Hoje sei que na verdade esta
discussão sobre Educação Inclusiva não é recente e nem foi uma imposição. Foi
uma reivindicação de uma imensa população que vinha há séculos solicitando
direito à educação...
Revendo a história da educação do
Brasil podemos afirmar que ela foi mudando com o decorrer do tempo. No início era uma educação de
tutores para poucas pessoas de uma classe distinta. Conforme as coisas foram
mudando passamos a ter escolas atendendo a conjuntos de alunos, ainda que homogêneos,
em sua composição e as escolas especiais que surgiram neste processo também
eram específicas para cada tipo de deficiência.
No Brasil, os
primeiros registros de escolas específicas para deficientes foram o Instituto
Benjamin Constant para cegos e o Instituto Nacional dos Surdos e Mudos, em 1854
e 1857 respectivamente, ambos no Rio de Janeiro, então capital do país. Um
século depois, na década de 60, através de algumas instituições especializadas
criadas por órgãos não governamentais é que se abriram as possibilidades de
pessoas com necessidades especiais participarem do campo da educação. Criaram-se,
assim, algumas leis que buscavam garantir os direitos dos excepcionais, mas é
só em 1973, com a criação do CENESP (Centro de Educação Especial) que o Estado
passa a assumir esta responsabilidade.
Muitos movimentos nacionais e
internacionais ocorreram e, a partir dessas discussões, estabeleceu-se o
direito de todos à educação. Houve a criação de legislações, portarias,
resoluções, etc., chegando até os dias de hoje, quando se busca
instrumentalizar famílias, pessoas com necessidades especiais e professores que
atuam no campo da educação para poder receber essas pessoas com necessidades
educativas especiais e trabalhar bem nesta linha.
Conhecer e analisar o passado faz
com que possamos entender porque as coisas acontecem desta ou daquela maneira
no presente, não para apenas justificá-las, mas principalmente para
melhorá-las. Volto, mais uma vez, a afirmar que tudo, em educação, gira em
torno da formação de professores.
Evolução do Mito da Caverna, de Platão, numa versão bem humorada:
http://www.youtube.com/watch?v=NkcF3YuNG1o&feature=fvwrel
Evolução do Mito da Caverna, de Platão, numa versão bem humorada:
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